Para onde caminha o mercado de clubes de assinatura?

Mais de 2 milhões de brasileiros participam de algum tipo de clube de assinatura: livros; bebidas, alimentos, roupas e até mesmo brinquedos sexuais. Apesar de ser um mercado emergente ainda há empreendedores que ainda não acertaram no modelo perfeito.

Não é novidade que os clubes de assinatura estão tomando um grande espaço no mercado e no dia a dia das pessoas. Hoje, uma infinidade de produtos e serviços pode chegar à sua porta mensalmente, sem que seja necessário se preocupar com prazo de pagamento e agendamento de entrega da compra. Depois de passada a novidade dos clubes de assinatura, estas empresas estão agora se renovando e se aprimorando.

Tamanho e tendências

De acordo com Gabriel Ribeiro, sócio-fundador da BistroBox, clube de assinatura de culinária, existem no mercado brasileiro atualmente mais de 220 clubes de assinatura, segundo a última estimativa realizada para o setor. O número de assinantes para estes clubes está em cerca de 400 mil assinantes no Brasil. Dentre a ampla gama de serviços prestados pelos clubes, os que tem mais assinantes são os de vinhos e outras bebidas, como Wine, clube W e Clubeer. Atualmente, tíquete médio é de em torno 80 reais/mês.

Os grandes clubes de assinatura estão cada vez mais agregando serviços e valor às experiências que oferecem, em vez de oferecer apenas a comodidade de entregar um produto em mãos. “Você não assina a BistroBox e recebe cinco produtos, você assina e recebe uma experiência culinária, participa de um clube de vantagens, recebe receitas, dicas e aprimora seus conhecimentos culinários. Esta experiência completa está se estendendo para a maioria dos clubes”, diz Gabriel.

Embora não seja um mercado tão novo, ainda é cheio de potencial. Gabriel diz que muitos clubes conseguiram crescer e expandir nos últimos meses, em que a situação econômica e política do País tem sido turbulenta. “O potencial do mercado brasileiro é muito grande, podemos crescer muito ainda. Há nos Estados Unidos casos em que um único clube de assinatura tem mais de dois milhões de assinantes, o que representa 5 vezes o mercado brasileiro. O mercado lá é diferente, a cultura e os hábitos são diferentes, mas eu acredito que a gente possa chegar longe”.

Perfis

Há principalmente dois tipos de clubes de assinaturas: o que tem foco na praticidade e o que foca na curadoria. Por exemplo: o clube que vende uma lâmina de barbear, um anticoncepcional ou fralda, é mais voltado para a praticidade. Ou seja, o cliente não espera dali um produto super inovador ou diferente, ele quer receber o produto na data certa e com qualidade, de forma cômoda.

O outro grupo, da curadoria, é o que tenta oferecer uma experiência bem completa: eles oferecem desde a experiência de descobrir produtos novos, onde o consumidor recebe informação e não só o produto, podendo assim aprender mais sobre o que está consumindo. Geralmente são produtos selecionados por especialistas. Dentro destes dois perfis de empresas de assinatura existem os mais diversos clubes de assinatura que se possa imaginar.

Futuro e desafios

Há cerca de um ano Gabriel teve a iniciativa de criar a Associação Brasileira dos Clubes de Assinatura: “eu comecei a perceber alguns problemas no modelo de assinatura e achei que seria importante compartilhar com as outras pessoas possíveis caminhos para resolver esses problemas”, explica.

gabriel ribeiro

Gabriel Ribeiro, fundador da Associação Brasileira dos Clubes de Assinatura e sócio-fundador da BistroBox

O primeiro desses problemas, de acordo com Gabriel, é que a maioria dos consumidores no Brasil ainda não entendem o negócio de assinatura, embora o modelo de negócio já esteja implantado no País desde 2012. “O público mais mainstream não está ainda tão familiarizado com esse modelo. O club Beer, por exemplo, é um dos maiores clubes de assinatura do Brasil, mas comparam o negócio deles com a assinatura de revista, porque é o que tem de mais parecido e todo mundo sabe como funciona”. Portanto, um dos objetivos da Associação é difundir a cultura de assinatura no Brasil, informando e mostrando ao público as vantagens do modelo.

O segundo problema para os empreendedores deste segmento é que existem muitas diferenças entre o modelo de e-commerce de assinatura e o e-commerce tradicional. A forma de captação, por exemplo, existem mais dificuldades em vender uma assinatura do que realizar uma venda pontual. Já a retenção,  em um modelo a empresa precisa trabalhar a compra frequentemente, enquanto em outro, precisa fidelizar o cliente. “Dentro destas particularidades do modelo de assinatura, não há muito material disponível para os empreendedores que atuam no ramo sobre como resolver muitos destes desafios. Por isso, a Associação tem o objetivo de fomentar esta troca de experiências, encontrando melhores práticas para todos”, diz Gabriel.

O terceiro desafio dos clubes de assinatura é atuar como uma plataforma de marketing. Embora não seja possível para todos os modelos, a quantidade de clubes que tem por objetivo trabalhar também com marketing tende a crescer cada vez mais, de acordo com a adesão gradual do mercado. “Me tornar uma plataforma de marketing era meu objetivo desde que fundei a BistroBox, então comecei a ir atrás de marcas de produtos alimentícios, mas comecei a ver muita resistência cultural por parte das marcas”, completa.

Kit BistroBox

Kit BistroBox

Segundo Gabriel, essa resistência existe porque as marcas, que usualmente investem em propagandas comuns e estandes de degustação em supermercados, ainda conhecem pouco esta forma de apresentar seus produtos aos consumidores. “Com a associação, os clubes de assinatura se unirão e, juntos, e as grandes empresas começarão a enxergar esse mercado como um sólido veículo de marketing”.

Hoje, a Associação dos Clubes de Assinatura ainda está fase de capacitação de membros, se formalizando. Mas a previsão é de que esta formalização aconteça em breve, uma vez que os fundadores destes clubes estão se mobilizando através de ações, grupos, reuniões e parcerias para que a organização se concretize o mais rápido possível. Entre as empresas que estão encabeçando a Associação, além da BistroBox, estão PetiteBox, Nerd ao Cubo e TAG – Experiências Literárias. Na chamada que está se formando para a assinatura da ata e formalização da associação, Gabriel, da BistroBox, e Ivy Assis, da PetiteBox, serão presidente e vice-presidente, respectivamente.

Conheça

Abaixo, listamos alguns clubes e conversamos com alguns de seus fundadores para falarem sobre o motivo pelo qual resolveram empreender neste negócio, qual o tamanho do mercado para cada um dos segmentos.

TAG – Experiências Literárias

Kit TAG - Experiências Literárias

Kit TAG – Experiências Literárias

A ideia surgiu em 2013, da união entre a paixão por livros e a vontade de empreender dos três fundadores: Tomás Susin, Arthur Dambros e Gustavo Lembert. Juntaram-se a eles Álvaro Englert e Pablo Valdez e começaram a pensar no prjeto, quando os clubes de assinatura estavam começando a ganhar espaço. “Além dos clubes, o extinto Círculo do Livro (antigo clube de leitura brasileiro, que surgiu na década de 1980) também foi lembrado na concepção do projeto”, diz Pablo. O perfil dos associados da empresa é composto por pessoas de diversas idades, desde adolescentes até pessoas com mais de 80 anos, mas a média de idade é de 34 anos. Em relação ao gênero, 70% dos associados são mulheres e 30% homens. “Entregamos os kits em todos os estados brasileiros, em cerca de 900 cidades”, completa Pablo. Hoje, a TAG conta com mais de 6 mil associados ativos, e pretende fechar o ano com mais de 11 mil.

Box Joanninha

Kit Box Joanninha

Kit Box Joanninha

A primeira empresa da dupla de empreendedoras Alessandra Piu e Anna Fauaz chamava-se Joanninha e funcionava como um aluguel de brinquedos. Também criada em 2013, a Box Joanninha visa resgatar as brincadeiras infantis feitas a mão e  reforçar o convívio familiar com uma caixa temática, composta por materiais diversificados, para que crianças desenvolvam o lado criativo com atividades manuais em parceria com os pais. Atualmente a empresa tem 300 assinantes fixos, além dos clientes avulsos. Nesse mês de maio, a empresa lançou a assinatura do Box Baby, para crianças de 9 meses a 3 anos. No segundo semestre, começará a realizar a venda avulsa do Box para maiores, com o público de 8 a 99 anos.

Nerd ao Cubo

Kit Nerd ao Cubo

Kit Nerd ao Cubo

A ideia de criar o Nerd ao Cubo surgiu por volta de março de 2014, por três engenheiros mecânicos que queriam empreender: Raul Calhelha, Thierre Penteado e Diogo Santos. O formato de vendas foi definido porque, na época, o mercado de clubes de assinatura estava em plena ascensão, mas foco nos produtos geek, entretanto, não foi apenas por afinidade com o universo nerd. “Nós percebemos que produtos para este público tem o preço muito alto, principalmente para quem é colecionador, então nós nos perguntamos ‘será que nós não conseguimos colocar alguns itens em uma caixa e vender por um preço acessível?’”, diz Diogo. A empresa não revela o número de assinantes nem o faturamento anual, mas garante que em apenas um ano de exercício o Nerd ao Cubo vendeu mais de 25 mil caixas. Sempre com crescimento orgânico, sem investir em marketing e com investimento dos próprios sócios, a empresa espera fechar o ano triplicando a quantidade de assinantes e trazendo novos modelos de caixas, mas com o mesmo tema. “Neste mercado, se você tiver criatividade, existe uma infinidade de possibilidades”, finaliza.

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